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Gestão Feminina – Como liderar apoiando outras mulheres?

Autor: fernando

28 de agosto de 2019

Quando falamos sobre gestão feminina, é comum que as dificuldades até hoje enfrentadas por mulheres para alcançar posições de gestão sejam lembradas, porém, há algum tempo essa realidade está se transformando. Além do número crescente de empresas que apresentam lideranças femininas em seu quadro de colaboradores, a influência que essas profissionais exercem sobre mulheres que também querem se destacar na carreira é inspiradora e capaz de transformar o mercado.

No início do ano, foi divulgado o estudo “International Business Report (IBR) – Women in Business 2019”. Realizado anualmente pela  Grant Thornton,  sexta maior organização de contabilidade e consultoria dos EUA, reuniu informações vindas de mais de 4.5 mil empresas, sediadas em 35 países. 

Esta edição do business report revelou um crescimento global no número de empresas que afirmam ter pelo menos uma gestão feminina.  O Brasil faz parte do cenário positivo apresentado. De 2018 para 2019, a porcentagem de empresas com líderes mulheres saltou 87% para 93%.

Apesar do resultado positivo em relação à quantidade de empresas com líderes mulheres em seu quadro de colaboradores, a proporção dessas profissionais passou de 29% para 25%, também entre 2018 e 2019. É importante ressaltar que essa porcentagem se refere à média de lideranças femininas nas empresas avaliadas, existem as que apresentam um quadro menor do que este e as que apresentam um quadro maior, como é o caso do Grupo Boticário, que  tem 50% dos cargos de gestão comandados por mulheres.

Entre os motivos apresentados para justificar os 6 felizes pontos percentuais, destaca-se a realização de mentorias e coachings, além da maior preocupação em relação ao acesso igualitário à oportunidades, por parte das empresas.  Carolina de Oliveira, diretora de Inovação, Marketing e Novos Negócios da Grant Thornton, afirmou para ao Pequenas Empresas & Grandes Negócios, em reportagem que tratava sobre o fato: “Há mais abertura para iniciativas focadas em discutir este assunto na sociedade e na comunidade empresarial do Brasil” e "Precisamos manter este diálogo ainda aberto e constante, para que consigamos baixar ainda mais ou manter este desempenho".

Pensando nisso, criamos este post. Nossa intenção é chamar atenção para o quão benéfica pode ser uma gestão feminina, para o desenvolvimento de outras mulheres. Falaremos também fatores que contribuem para a falta de autoconfiança em profissionais do sexo feminino e daremos algumas dicas que podem te ajudar a exercer este papel de líder inspiradora. 

Já ouviu falar em Síndrome do Impostor?

A síndrome do impostor é uma crença ou sentimento de não pertencimento e de falta de merecimento. Apesar de poder se manifestar em diferentes áreas da vida de um indivíduo, é no trabalho que ela costuma ser mais frequente. Quem sofre da síndrome acredita que não merece estar na posição que ocupa, credita suas conquistas à sorte e não ao seu talento e esforço e constantemente questiona sua capacidade e a validade das suas opiniões.

Esse sentimento pode dificultar a vida de qualquer pessoa, porém, existem os que acreditam que mulheres são mais propensas a desenvolvê-la. É o que afirma uma pesquisa realizada pela HP, em 2014, quando a empresa avaliou a trajetória e o que pensavam suas colaboradoras. 

Os dados coletados na pesquisa revelam exemplos claros de que a síndrome acomete mais as mulheres. O fato de que as funcionárias só se candidatam para um cargo superior ao que ocupam se preencherem 100% dos requisitos, enquanto os funcionários começam a se candidatar quando preenchem 60% dos mesmos critérios, é um deles.

Apesar de já ter 5 anos, a pesquisa é confirmada por um levantamento feito pelo Linkedin, com base em dados de mais de 620 milhões de usuários, de 200 países, mulheres são 20% menos propensas a se candidatar a determinado cargo, em comparação aos homens. 

Mulheres muito poderosas, como Michele Obama, ex-primeira-dama dos EUA, também podem sofrer com essa questão. Em um evento ocorrido em Londres, Michele afirmou : "Entrar em uma faculdade de elite, quando o seu orientador vocacional no colégio disse que você não era boa o suficiente, quando a sociedade vê crianças negras ou de comunidades rurais como 'não pertencentes'... Eu, e muitas outras crianças como eu, entramos ali carregando um estigma" .

Ela também disse que: "Hoje em dia, crianças mais jovens chamam isso de Síndrome de Impostor. Sentem que não cabem ali, não pertencem. Eu tive de trabalhar duro para superar aquela pergunta que (ainda) faço a mim mesma: 'eu sou boa o suficiente?'. É uma pergunta que me persegue por grande parte da minha vida. Estou à altura disso tudo? Estou à altura de ser a primeira-dama dos Estados Unidos?"

Não existe motivo para desespero, se esse é seu o seu caso, te ajudaremos a superar esse obstáculo. 

Quer entender como superar a síndrome do impostor e ajudar outras mulheres a fazer o mesmo?

A pesquisadora inglesa, Kate Atkin, que pesquisa a síndrome e dá palestras e workshops sobre o tema deu algumas orientações que te ajudarão nessa missão: 

"Fale sobre o assunto. Se você fala sobre o que está sentindo, logo vai perceber que não é apenas você."

"Reconheça os seus sucessos. Não atribua suas conquistas à sorte ou ao trabalho duro - sem seu talento e suas habilidades, você não teria feito o que fez."

"Lembre-se, no entanto, de que ninguém é perfeito. Aceite que há grande probabilidade de você fracassar em algum momento. Aprenda com ele (o fracasso), em vez de encará-lo como um reflexo de você."

"Pare de se comparar com os outros. Em vez disso, tente se comparar com quem você era no ano passado para ver como progrediu."

Coloque essas orientações em prática e lembre-se: A síndrome do impostor não é forte o suficiente para barrar uma ótima profissional e, além disso, você não está sozinha. Muita gente se sente da mesma maneira no ambiente de trabalho.

Quer saber como exercer uma gestão feminina inspiradora e construtiva?

1. Incentive suas colaboradoras a darem suas opiniões

Quanto mais suas colaboradoras falarem sobre suas ideias, suas áreas de especialização e sobre o tema liderança, será mais frequente ouvir vozes femininas falando sobre todos os assuntos, inclusive sobre os que muitas vezes ainda são considerados masculinos. 

2. Ensine que assumir riscos calculados é necessário para qualquer carreira de sucesso

Ajude as mulheres que trabalham ao seu lado a saírem da zona de conforto. Ao abandonar  o medo do fracasso, é mais fácil que as profissionais ao seu redor se projetem como líderes confiantes.

3. Seja uma mentora

Uma das maiores fontes sobre liderança são os próprios líderes que nos acompanham do dia-a-dia. Aprender sobre um tema com alguém que já viveu o que você está vivendo é muito gratificante. Por isso, para ser fazer uma boa gestão feminina, seja a mentora que vai mostrar caminhos e auxiliar na tomada de decisões delicadas.  Além disso, ter alguém que entende a sua rotina e está disposto a ouvir um desabafo é algo reconfortante para qualquer um, independente do gênero. 

4. Ajude no networking

Ajude suas colaboradoras a conhecer outras mentoras e outras mulheres inspiradoras. Participar de eventos sociais, grupos de mulheres empreendedoras e conferências sobre a área da sua companhia pode ser muito útil. Um novo cartão de visitas pode representar uma grande oportunidade. 

5. Dê feedbacks

Uma opinião pode orientar sua colaboradora a escapar de erros desnecessários e atingir seus objetivos de um jeito mais simples. Além de apontar o que pode ser melhorado e tentar apresentar novos caminhos a serem seguidos, faça questão de sempre mostrar as qualidades e acertos de quem recebe o feedback, isso ajuda no fortalecimento da autoconfiança.

6. Ajude suas colaboradoras a divulgar suas vitórias

Um ditado popular afirma que não basta botar o ovo, é preciso cacarejar. É exatamente esse o raciocínio por trás desta dica. Ajude suas mentoradas a encontrarem maneiras de divulgar suas vitórias na empresa. Fazer com que todos saibam dos seus acertos é fundamental para atrair novas oportunidades. 

Ajude a construir um mundo mais igual

Esperamos que esse material te ajude a exercer uma gestão feminina inspiradora para outras mulheres e que, assim, possamos caminhar para uma realidade com mais igualdade, em todos os sentidos! Fiquem atentos aos nossos próximos conteúdos, continuaremos a abordar temas importantes para o desenvolvimento profissional de quem sonha em construir uma carreira cheia de sucesso. 

Leia também Conheça três livros que vão contribuir para o seu desenvolvimento profissional e Intraempreendedorismo: você leva para seu desenvolvimento profissional?

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